Eleições municipais de 2012: o país se renova e avança
josé carlos peliano
Ao término das eleições
municipais de 2012, novo quadro eleitoral se apresenta no país a partir de uma
primeira avaliação dos dados brutos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). Os eleitores em geral digitaram nas urnas cédulas de cores mais
populares que as anteriormente registradas em semelhantes pleitos. Mais educados
politicamente fosse pelo enfrentamento das condições de vida e trabalho do dia
a dia, fosse pela avaliação dos resultados dos programas de governo apresentados
pelos prefeitos nas cidades onde moravam, os eleitores começaram a tomar efetivamente
as rédeas da representação política nacional. Os números não mentem, embora os
partidos e a mídia tentem muitas vezes ludibria-los com comentários parciais, interesseiros
e equivocados.
Senão vejamos. Avaliação
quantitativa mostra que, pelos dados do TSE, sobre os votos das 7 principais
agremiações partidárias, de 2000 a 2012, passando por 2004 e 2008, as únicas que
ocuparam mais prefeituras e alcançaram tendências ascendentes no cenário
nacional foram o PT e o PSB, as demais apontaram tendências descendentes
perdendo prefeituras, sendo o DEM com a perda mais acentuada.
Partidos
|
PT
|
PSB
|
PMDB
|
PSDB
|
PP
|
PSD
|
DEM
|
2000
|
187
|
133
|
1256
|
989
|
608
|
-
|
1027
|
2004
|
411
|
180
|
1059
|
865
|
551
|
-
|
790
|
2008
|
550
|
308
|
1193
|
767
|
549
|
-
|
495
|
2012
|
635
|
442
|
1024
|
702
|
469
|
497
|
278
|
Fonte:
TSE
Se em 2000 PT e PSB obtiveram em conjunto 7,62% de todas as
4000 prefeituras, em 2012 chegaram a 26,65% das 5566 apuradas pelo TSE. Pouco
mais de um quarto das prefeituras do país estão hoje nas mãos dessas duas
agremiações, tendo o PT sido eleito em 15,71% delas. Como em muitas cidades houve
coligações entre partidos e o PT, PSB e PMDB se aproximado em boa parte delas,
eles têm hoje em suas mãos mais de um terço das prefeituras brasileiras ao
somarem 37,74%. Ao se adicionar os votos de prefeitos eleitos por PDT, PV e PCdoB
(somando 463 prefeituras), esse percentual atinge 46%, pouco menos da metade do
total das prefeituras. Tendo essas três agremiações posturas partidárias fortemente
marcadas mais à esquerda no espectro político nacional, observa-se que 2012
pode ser considerado o ano em que os eleitores cravaram desejo expresso de que
ações e projetos municipais venham a ter perfis sociais predominantemente progressistas,
inovadores e avançados.
Levando em conta o total de votos, o PT foi a sigla
partidária que obteve o maior número no 2º turno: 6,99 milhões. As outras
siglas mais à esquerda, acima citadas, obtiveram em seu conjunto 6,18 milhões.
O total de 13,17 milhões representam 56,52% dos votos válidos, excluindo os
brancos e nulos, ou 41,52% do total dos votos válidos. Percentuais esses que
confirmam a disposição do eleitorado nacional de ter administrações municipais
voltadas mais à esquerda na condução das prefeituras, independentemente de
nomes de prefeitos, situações regionais e brigas políticas.
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